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Replantio do Mwenje para preservação da Timbila
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O Mwenje, árvore que encerra a produção das marimbas, está a desaparecer na região sul do país.
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A um ritmo vertiginoso. A pressão exercida sobre esta árvore fez com que ela entrasse em extinção até em Zavala, anteriormente considerado berço do mwenje.
Hoje, a árvore é achada apenas em pontos recônditos daquele distrito de Inhambane ou, em poucas quantidades, em algumas zonas de Inharrime, Massinga e Vilanculos, também em Inhambane e em Matutuine.
A preocupação com o desaparecimento do mwenje foi levantada pelos fabricantes da timbila, no ano passado, durante o festival M’saho, que anualmente acontece em Zavala.
Mais alarmante ainda porque com a extinção desta planta não haverá mais – pelo menos com a mesma originalidade sonora – novas timbilas.
O ritmo musical chope timbila foi declarado em Novembro de 2005 pela UNESCO obra-prima do património imaterial da humanidade.
Com a ameaça de extinção do mwenje em território moçambicano, os timbileiros descobriram que a planta existe em algumas zonas da África do Sul, daí que alguns deles com amigos e familiares naquele país vizinho pedem-nos para que tragam algumas madeiras processadas para a produção das teclas das marimbas.
O abate indiscriminado de árvores pelos lenhadores e carvoeiros e a constante procura da madeira, associados à seca e a existência de um número cada vez maior de orquestras de timbila, são alguns dos factores apontados como propiciadores da escassez desta árvore.
E quando os lenhadores acabaram com as árvores iniciaram o derrube das raízes do mwenje, o que fez com que jamais voltasse a florescer em algumas zonas.
Possível recuperação da espécie
Mas se até há bem pouco tempo os mestres da timbila curvavam o dorso, assistindo ao que eles próprios consideravam acto infame (o abate indiscriminado da árvore), hoje mostram-se confiantes e depositam esperanças de voltar a ter esta árvore nos seus pontos, isto como resultado de uma série de estratégias desenhadas pelo Ministério da Agricultura, através dos seus serviços distritais.
Estas estratégias passam pela criação de viveiros desta árvore e o respectivo replantio nas casas de alguns marimbeiros, com regas constantes.
Para aqueles timbileiros, que se chegaram a mostrar relutantes quanto à implementação desta iniciativa, alegando que o mwenje não sobreviverá em novos habitats dadas as suas características selvagens, a Agricultura e a comunidade artística dizem que os técnicos especializados daquele pelouro irão trabalhar no sentido de adoptar mecanismos exactos para que esta acção alcance os efeitos desejados, devendo estes monitorar os métodos dos cuidados a ter, desde o plantio, a rega e a preservação.
A implementação desta iniciativa tem como objectivo último preservar a espécie de que é fabricada a timbila, ao mesmo tempo que pedem mão dura para os cortadores desta árvore para fins não muito claros.
Fernando Zunguze, responsável pelo sector da Educação e Cultura nos serviços distritais de Zavala, explicou que “o que estamos a fazer agora é trabalhar junto com a Agricultura, que possui técnicos especializados e que nos podem dizer como tratar estas árvores.
Sabemos que elas são muito sensíveis, daí que os cuidados a ter são demasiados.
E todos estamos a trabalhar na criação desses viveiros de modo a podermos abrir campos para fazermos o relançamento do mwenje.”
Os mestres de todas as orquestras existentes em Zavala foram convidados a fazerem o plantio de uma ou mais árvores nas suas residências, algo que está a acontecer com maior incidência principalmente naquele distrito, onde a árvore já não existe faz muitos anos, soubemos que em cada casa de artista há viveiros do mwenje que foram colocados no quadro desta nova experiência.
Tudo indica que a árvore está a comportar-se positivamente, com os próprios artistas a serem responsáveis pelos cuidados a prestar ao mwenje.
Nas casas de alguns timbileiros já há algumas plantas que estão a florescer.
Se por um lado, em Zavala o mwenje já não existe nas matas, por outro há aqueles que ao longo desses anos foram demarcando grandes parcelas de terra para construção de propriedades privadas.
E essas pessoas têm nos seus extensos terrenos muitas árvores.
“É necessário entrar em contacto com os actuais donos dessas árvores para poderem fornecer alguns troncos para o fabrico de teclas e timbilas.
Só que isso não é fácil porque os proprietários dessas árvores precisam de dinheiro e os nossos artistas neste momento não possuem fundos para isso.
O próprio sector distrital da Educação e Cultura ainda não tem dinheiro capaz de ajudá-los, também porque não temos fundo para aplicar no desenvolvimento desta planta, embora exista esta grande preocupação de tudo fazer para a preservação do mwenje”, frisou Fernando Zunguze.
A vila sede de Zavala, Quissico, também tinha um viveiro do mwenje. Porém, dada as características da árvore e dos cuidados a ter, a direcção da
Agricultura decidiu pela sua transferência, tendo feito várias distribuições nas machambas de alguns mestres da timbila, como forma de proporcionar espaços para os devidos estudos para o seu desenvolvimento.
Para se conseguir criar estes viveiros, segundo explicação de Zunguze, não é deveras complexo, pois para a criação dos viveiros é necessário o uso de gérmenes da própria árvore.
Estas sementes não são facilmente visíveis e não se apanham também com muita facilidade, mas com os técnicos da Agricultura foi possível toná-las e recolhê-las.
Assim, estamos à espera de uma segunda floração das árvores para que outra vez a gente vá aos distritos onde ocorre o mwenje para a recolha de mais sementes.”.
Fonte: www.jornalnoticias.co.mz – 06.09.07
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