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Festival nacional de cultura já agita sociedade gazense
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Operadores económicos de Gaza consideram que a realização do V Festival Nacional de Cultura, que terá lugar em Junho de 2008 em Xai-Xai, será mais um momento para testar a capacidade organizativa sociedade naquele ponto do país no acolhimento de tão importante evento, que se pretende venha obter, para além de na própria cultura, ganhos em áreas como o turismo e outros campos de actividade.
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No entanto, advertem que para o aproveitamento do real potencial histórico-cultural e turístico de que a província é detentora, é necessário um trabalho coordenado por todas as partes interessadas.
Agentes económicos abordados pela nossa Reportagem asseguraram que os preparativos para o grandioso evento já iniciaram, com uma recente organização na capital provincial de Gaza de um encontro que juntou, para além da comunidade local, dirigentes do Ministério da Educação e Cultura, o promotor do festival.
Por não possuir de tudo um pouco, como locais de espectáculo e infra-estruturas hoteleiras a altura do que seria o ideal para este tipo de realizações, Gaza encara a organização do festival como “um grande desafio”, conforme adiantam alguns empresários.
“Para a área da cultura vai ser um grande ganho, pois a movimentação de artistas de todos os quadrantes do país vai permitir uma grande aprendizagem do que os outros fazem com melhor perfeição em relação a nós.
Ainda bem que a província, através da organização local de transportadores semi-colectivos, já se prepara por forma a estarem pontualmente nos locais onde irão decorrer os eventos relacionados com o festival, ao exemplo de locais de interesse histórico, cultural e turístico de Gaza.
Não queremos que estes estejam fechados apenas nos seus locais de acomodação”, adiantou ao “Notícias” o empresário Anchok Lalgy.
Consolidação da moçambicanidade
Segundo Lalgy, destacado agente económico, Gaza deve estar rigorosamente organizada por forma a que os cerca de 900 artistas provenientes de todo o país possam ter a realidade histórica-cultural da província, criando-se mecanismos para que as pessoas possam por exemplo conhecer Nwadjahane, a terra natal de Eduardo Mondlane, arquitecto da unidade nacional, assim como Coolela, Magul e Chaimite, onde guerreiros moçambicanos desencadearam acções de resistência à ocupação colonial portuguesa, bem como a mata sagrada de Chirrindzene.
“Acredito que vai ser um momento ímpar de consolidação da moçambicanidade e do conhecimento mutuo entre as pessoas, faz-me pensar isso a realização com sucesso de eventos similares decorridos noutros quadrantes do país”, disse Laljy.
Por seu turno, o empresário Da área hoteleira Nuno Fonseca mostrou-se algo céptico em relação a este tipo de investimentos, pois, segundo ele, em eventos similares que tiveram lugar em Gaza o empresariado local foi sempre marginalizado a favor de seus colegas da capital do país.
“Sou de opinião que as regras de jogo devem estar claras e com total transparência, porque nós temos sido colocados de lado alegadamente porque não possuímos capacidade financeira para isso.
Mas nós já provamos que isso não corresponde à verdade e só serve para acomodar interesses de operadores turísticos de Maputo; por favor, temos que deixar de continuar quintal de Maputo”, desabafou Fonseca.
Num outro desenvolvimento, o empresário reconheceu que esta iniciativa irá entretanto, ser “uma mais-valia para o enriquecimento do nosso enriquecimento do nosso património artístico-cultural e uma oportunidade para a troca de experiências entre pessoas de diversos quadrantes do nosso país”.
Transporte não vai faltar
A Associação dos Transportadores de Gaza (ASTROGAZA), através do seu presidente João Matusse, considera que a realização do festival nacional de cultura em Xai-Xai deve constituir um momento de orgulho e de grande responsabilidade devido ao seu alcance do ponto de vista social, económico e mesmo politico.
Segundo ele, não obstante aparentemente faltar ainda muito tempo, torna-se imprescindível que os trabalhos conheçam uma preparação cuidadosa e responsável.
“O falecido Presidente Samora Moisés Machel sempre dizia ‘a vitória organiza-se, a vitória prepara-se’ e, para que não se belisque o nosso orgulho, cá estamos nós tornado as necessárias medidas organizativas para que o sucesso do festival em gaza seja uma realidade.
Já fomos abordados nesse sentido pelas autoridades e já nos estamos a mexer pensando no evento de 2008”, disse Matusse, para quem “não vai faltar transporte” durante o festival.
De referir que cerca de 900 artistas provenientes de todo o país, marcarão presença no V Festival Nacional de Cultura. Será, de acordo com Luís Covane, vice-ministro da Educação e Cultura, que dirigiu uma reunião a este propósito em Gaza, um evento multidisciplinar para o qual tudo está a ser feito por forma a que tudo decorra da melhor maneira.
Luís Covane orientou recentemente em Xai-Xai a reunião nacional de cultura, tendo tido a oportunidade de se inteirar das condições em que irá decorrer o evento.
Afirmou ter ficado satisfeito pelo facto de a capital provincial de Gaza possuir as necessárias condições em termos de infraestruturas e logística para acolher sem sobressaltos o evento em 2008.
Covane esteve igualmente no local onde irá funcionar o “estado-maior” do festival nacional de cultural, um edifício localizado na baixa na cidade de Xai-Xai e que será objecto de uma total reforma, para que possa acolher o evento com a dignidade e estatura que se pretende.
Segundo ele, estão a ser criadas as melhores condições para que em 2008 o país possa expressar das diversas formas, com base nas diversas modalidades culturais, a moçambicanidade em Xai-Xai.
Caminhar para festival livre da pirataria
Falando à margem do encontro de Xai-Xai – e em resposta a uma pergunta formulada pela nossa Reportagem sobre o trabalho que está a ser desenvolvido pelo governo por forma a colocar ponto final a onda de pirataria que se instalou no nosso mercado discográfico, o vice-ministro explicou a propósito que o país durante muito tempo teve uma instituição que se encarregava de assuntos inerentes à produção e distribuição do disco, o Instituto Nacional do Livro e Disco (INLD).
Contudo, com a liberalização da industria discográfica foram abertas possibilidades para os nacionais e estrangeiros investirem nesta área.
“Foi uma oportunidade para os artistas encontrarem um espaço para a publicação dos seus trabalhos.
Hoje isto é uma realidade em qualquer canto do país, em que podemos encontrar em estabelecimentos comerciais formais e informais, cassetes, discos de música moçambicana e estrangeira produzidas pela nossa industria”, disse Covane.
Entretanto, segundo a nossa fonte, paralelamente a esta realidade, há um sector informal que em grande medida tem estado a minar os esforços do governo na protecção dos artistas e de uma maneira geral a indústria cultural moçambicana.
O governante reconhece que a pirataria a que hoje se assiste no país não pode de forma alguma contribuir para a melhoria de vida dos nossos artistas, para além de inclusivamente ser um verdadeiro atentado ao erário público.
Por outro lado, Covane mostrou-se confiante numa possível melhoria da situação que se vive actualmente no negócio discográfico, sustentando que o seu “pelouro”, fez recentemente passar uma lei dos Direitos do Autor e Direitos Conexos assim como a regulamentação inerente a aposição de um selo de autenticidade, sendo executor desta iniciativa o INLD em coordenação com outras autoridades competentes.
Muito recentemente, explicou o vice-ministro, o INLD, iniciou com a destruição de instrumentos usados para a produção de cassetes e discos piratas, assim como outro material manufacturado em moldes não autorizados, tendo referido tratar-se de desencorajar aquele tipo de prática, sendo uma luta que para o seu sucesso deve contar inevitavelmente com a participação de toda a sociedade.
“Porque ao comprarmos discos de proveniência duvidosa, estamos a minar a promoção do combate à pobreza, na classe dos músicos moçambicanos, porquanto a música é um bem extremamente valioso, e se os seus autores tivessem vantagens da sua produção teríamos uma classe de músicos estável e próspera, e isto é o que todos aspiramos”, disse Covane.
Necessário proteger talentos
Os infortúnios em série que tem enlutado a família dos músicos moçambicanos bem como mereceu nessa entrevista com o vice-ministro Luís Covane especial atenção.
Segundo ele, é de facto preocupante, mas que cabe à Associação dos Músicos um papel determinante, devendo trabalhar no sentido de criar uma maior coesão no seio da agremiação, numa perspectiva de se ir buscando solução para os problemas do dia-dia dos seus membros.
“O músico é um produtor de riqueza do ponto de vista cultural e material. O combate à pirataria a que me referi anteriormente visa proporcionar o necessário ambiente para que o músico não passe necessidades.
Ele é um participante activo na produção da riqueza e não podemos continuar a assistir esta situação de forma impávida.
A associação deve fazer a sua parte para que se reverta esta situação”, ripostou Covane.
O Nyau e Timbila como patrimonio mundial
O facto de se ter elevado a timbila e o nyau como património cultural da humanidade constitui para o país uma grande responsabilidade, daí que um trabalho de profundidade deverá ser feito para que estas duas importantes expressões culturais possam chegar ao conhecimento e prática pelo país fora.
A divulgação deverá passar pelos ensinamentos do nyau e da timbila pelo país fora.
“Estas materiais devem constar nos nossos curricula e as crianças devem saber valorizar estas conquistas dos moçambicanos e no caso concreto do nyau até ultrapassa as fronteiras nacionais, assumindo-se com muita propriedade na região, temos que inculcar este orgulho pelas nossa coisas pela nossa identidade, este nyau que nos liga culturalmente à Zâmbia e ao Malawi, que teve o reconhecimento internacional da UNESCO”, disse Covane.
“A Educação e Cultura deve prosseguir com trabalhos de investigação, formação de quadros, para que estas expressões sejam do conhecimento das crianças e da população em geral e que também haja uma capacidade de identificação de outras expressões para que atinjam estatura e possam merecer o reconhecimento internacional tal como aconteceu com o nyau e com a timbila”, disse Covane.
Fonte: www.jornalnoticias.co.mz – 05.10.07
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