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A capital dos “corpos destorcidos”


A dança contemporânea parece estar a respirar uma grande vitalidade. Há uma grande investigação e atitude dos coreógrafos e bailarinos.

É só vê-los a torcer os pés para fora ou para dentro, curvar os joelhos, esticar as mãos no ar ou rodá-las em círculo, elevar o olhar numa pose concentrada e elegante, os corpos dobram-se, contorcem-se e rodopiam sobre si, pulam, equilibram-se como acrobatas ou trapezistas.

São movimentos elásticos, pertencente a corpos levezinhos e delgados, figuras de quem leva a vida num “atellier” de dança.

E como não deixaria de ser, o resultado deste empenho individual é notável, pois, cada bailarino tenta dar o seu máximo.

Será conveniente assinalar que estas danças são executadas sob um ambiente sonoro escolhido a rigor, por forma a equilibrar a interpretação, cenário e o ambiente de realização do espectáculo.

Eles trazem abordagens múltiplas e alternativas à dança convencional.

As opções temáticas são manifestamente universais; por vezes uma crítica a sociedade contemporânea e uma globalização cega que em vez de derrubar as diferenças sociais, as máscara e acentua - como na obra “(In)dependente” do coreógrafo Gabriel Panaibra da CulturArte exibida domingo no “Franco”.

Este é em resumo, o que se pode constatar nesta II Plataforma de Dança que decorre em Maputo pela segunda vez, desde o dia 1 até 10 do corrente.

Oficina de formação interessa coreográfos e bailarinos
Um dos maiores ganhos desta “II Plataforma de Dança Contemporânea” será, quando ela terminar, ter ficado para os participantes da mesma, um “know how” sobre as técnicas e segredos da dança contemporânea.

Este conhecimento está a ser passado através de oficinas de formação que foram montadas em três pontos, nomeadamente, “Cine-África”, “Casa de Cultura do Alto-Maé” e “Casa Velha”.

Nelas, os bailarinos, moçambicanos aprendem de profissionais experientes, tal é o caso, por exemplo, do professor francês Eric Languet e do coreógrafo brasileiro Paulo Fernando Jr.

Nota de particular importância, é o facto de todos os intervenientes estão empenhados em sair destes “ateliers” com algo consistente.

Como curiosidade, assinale-se o grande entrosamento entre os participantes-coreografos e bailarinos, e não seria de outra forma não fossem os artistas pessoas simples e comunicativas.

Pode-se até dizer que, já estão a formar uma comunidade mais próxima, quase familiar.

Neste contacto, todos procuram conhecer-se e rapidamente se estabelecem relações de familiaridade e de cumplicidade e quiçá...de amor...quantas vezes a gente vê um caso de amor que teve como ponto de partida, um encontro de artistas realizado algures...

A este propósito, o “Notícias” ouviu Paulo Fernandes Jr., coreógrafo brasileiro que coordena a oficina do Cine-Àfrica, diz que vê evolução progressiva dos artistas moçambicanos em matéria de dança contemporânea.

“Vejo que há muito potencial aqui. Por outro lado, noto que existe um grande interesse por parte dos jovens em aprender técnicas e métodos novos na dança”, observou.

Prossegue, “vejo esta formação da “Plataforma de Dança” como uma porta e chave para os jovens desenvolverem, mais tarde, as suas próprias linguagens”.

Neste momento, há um grande interesse dos coreógrafos estrangeiros em colher informações técnicas sobre o trabalho dirigido pelos artistas moçambicanos.

“(In)dependência” e “Umthombi” entre obras mais aplaudidas
Ao longo destes dias, já foram vistas cerca de duas dezenas de obras. Algumas dessas peças são de “encher os olhos” que quem assistiu. Uma delas o caso de “Umthombi” de origem sul-africana.

É uma peça de grande qualidade técnica levado ao palco pelo dueto Mtokoro Mthethwa e Musa Hlatshwayo, da companhia Mhayise Productions.

Foram cerca de 40 minutos de muita expressão corporal dos bailarinos que buscam a sua identidade tradicional.

Com uma indumentária totalmente “afro”, eles fizeram combinar o cenário rural com a música que interpretava com alto rigor profissional.

Quanto a obra “(In)dependente” do coreógrafo Gabriel Panaibra da CulturArte exibida domingo no “Franco” há muito que se lhe diga.

Esta peça que já tinha sido apresentada há sensivelmente três meses, apareceu com nova versão, totalmente renovada.

É importante anotar aqui, que o corpo de bailarinos é maioritariamente pessoas portadoras de deficiência que regra geral são descriminadas pela sociedade e vistas como “incapazes” de realizar com “independência” certas actividades.

É uma obra que tira “prova dos nove”...a todos aqueles que duvidavam sobre as capacidades desse sector social.

Cobertura dos “media” precisa-se
Pablo de Courlon Ribeiro, do Centro Culrutal Franco-Moçambicano observou que até agora não há constrangimentos de ordem técnica.

Não obstante, este evento internacional servir de montra para o que há de melhor no país em termos de dança contemporânea, Ribeiro considera que não está ser suficientemente divulgado pela maioria dos “médias” na capital do país.

E deste modo, convida aos órgãos de comunicação social para manterem o público informado sobre as actividades que estão a ser levadas a cabo nesta “II Plataforma de dança” que Maputo tem, mais uma vez, o privilégio de acolher.

Confira agenda


Fonte: www.jornalnoticias.co.mz – 09.11.07


   
 
 
 
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