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Mankew - a pintura rural em si
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As vinte e oito obras que compõem a exposição individual de pintura do artista plástico Mankew, intitulada “Khanimambo” e que se encontra patente até o dia 16 de Dezembro próximo no Museu Nacional de Arte (MUSART), exibem-nos um trabalho consistente e que se insere no quadro do que esta figura renomada do nosso panorama artístico vem efectuando desde a sua única exposição individual, realizada em 1973.
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Na presente individual, Mankew mostra-nos que continua a trabalhar numa temática há muito por ele abraçada, mas presente e actual.
Esta forma de trabalhar é a que muito marcou a sua pintura nos anos 70, onde a representação da Mulher e da família dentro do espaço rural têm um campo de relevo bastante amplo.
As obras presentes na exposição conferem à sua produção de 2006 e do ano em curso, mas a exposição tem uma forte presença dos quadros burilados este ano.
Porém, o facto de ter exposto somente uma única vez no país, em individual, e duas em individuais no estrangeiro (Alemanha) e participado em algumas exposições colectivas não significa que o artista tenha estado em interregno, tal como afirma Julieta Massimbe, directora do Museu Nacional de Arte.
“Ele queria mostrar uma exposição individual feita numa determinada perspectiva pictórica, o que ele chama de novo.
Nós tínhamos vontade de mostrar para além destes trabalhos recentes, queríamos também exibir uma pintura integrada no que ele foi nos anos passados, mas respeitamos a sua vontade”, este é o sentimento do curador do MUSART, Jorge Dias.
Para Jorge Dias, o Museu Nacional de Arte, como uma instituição que tem que valorizar, coleccionar e mostrar a produção de artistas da dimensão de Mankew conseguiu realizar o seu trabalho, que é, acima de tudo, trazer este artista num prisma mais alargado para que as suas obras possam ser contempladas.
Nesta exposição, este artista de Matalane, terra de pintores e de músicos, conseguiu manter um certo roteiro que a ver com a ligação entre os temas de todos os seus trabalhos, o que, de alguma forma, acaba sendo o que ele faz: “o ir e vir, a produção, a família, a mulher, o ter e não ter alimentação, com a excepção de um e outro quadros, o resto fala da produção”, diz-nos o curador do Museu Nacional de Arte.
Quanto à arrumação, ela obedece a um cruzamento de temas, e uma vez o roteiro não ser linear ele permite várias leituras, o que é possível observá-las se se separar o trabalho e se aproximam os elementos que estão patentes nas obras, que são os da produção, designadamente cestos, enxadas, catanas, e os da colheita, que são a cacana, o milho.
As épocas agrícolas estão também representadas nestes trabalhos, daí a facilidade para destrinçar os elementos e as leituras.
Jorge Dias explicou-nos que, tirando os trabalhos sobre a guerra civil, Mankew nunca foi um artista de abordar campos fora do rural.
Ele, sustenta o nosso entrevistado, é um artista que pinta a produção rural, a família também no meio rural, as palavras de ordem, parábolas, contos imanados nos usos e costumes.
A pintura de Mankew está também muito ligada aos provérbios. As formas figurativas aparecem cada vez mais estilizadas, a tonalidade das cores está muito forte, com um azul e um castanho mais salientes, embora o discurso pictórico e figurativo se mantenha.
Esta tentativa é vista pelo curador do Museu como uma necessidade de incursão aos domínios da arte contemporânea, é uma tendência de fazer um trabalho que esteja mais próximo do dos artistas mais jovens e que seja tratado como é tratado o dos que trabalham na vertente contemporânea, mas, diz-nos Jorge Dias, Mankew não está maquetizado para isso.
“A sua estrutura não é essa. Acho que ele deve continuar a seguir o caminho que ele sempre seguiu. O que está a fazer”, pois, o dia que nós tivermos um Mankew que seja produção artístico-contemporâneo, “deixaremos de gostar de Mankew”.
E quanto às formas e os conceitos, “Mankew mantém isso perfeita e rigorosamente. Por isso, defendo que ele tem que ser olhado como um artista enquadrado dentro do seu contexto, como um pintor do seu tempo porque ele é um artista do pós-independência e é rural.
Ele não saiu desse eixo. Quer dizer, é um pintor de Matalane que vive no Bairro do Aeroporto”, explica Dias.
Fonte: www.jornalnoticias.co.mz – 15.11.07
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