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Governo venezuelano diz-se "frustrado" pelo fim da mediação
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A Venezuela afirmou-se, hoje, "surpreendida" e "frustrada" com a decisão do presidente colombiano de interromper a mediação do seu homólogo venezuelano para uma troca humanitária de reféns por guerrilheiros detidos mas diz continuar aberta a trabalhar pela paz.
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Num comunicado a que a Agência Lusa teve acesso, o Ministério de Relações Exteriores da Venezuela, explica: "Recebemos com surpresa a decisão do Governo colombiano de dar por terminada a mediação do Presidente Hugo Chávez e a mediação da senadora (colombiana) Piedad Córdoba na procura de uma troca humanitária".
O documento precisa que "o governo da Venezuela aceita esta decisão soberana do governo da Colômbia mas manifesta a sua frustração porque, desta modo, aborta-se um processo que era levado com pulso firme e no meio de grandes dificuldades, tendo-se obtido em apenas três meses importantes avanços que faziam pensar, já, na possibilidade de uma solução para este drama essencialmente humano que afecta a nossa irmã e querida Colômbia".
"O governo da Venezuela agradece infinitamente à senadora Piedad Córdoba, eminente cidadã colombiana, pela seu incansável, meritório e frutífero labor de mediação que mereceria realmente outro destino", prossegue o comunicado.
"O governo e o povo da Venezuela, apesar desta lamentável decisão do governo da Colômbia, têm os seus corações e braços abertos para continuar a prestar os seus humildes serviços em favor da vida e da paz", refere o comunicado que concluiu com uma expressão do Libertado Simón Bolívar, "Deus concede a vitória à constância".
O presidente colombiano, Álvaro Uribe, anunciou, quarta-feira à noite, que dava "por terminada" a mediação da senadora (colombiana) Piedad Córdoba e do presidente Hugo Chávez, agradecendo-lhes a ajuda prestada.
A decisão surgiu depois de Bogotá saber que Hugo Chávez contactou, telefonicamente o comandante do Exército colombiano, general Mário Montoya, a quem questionou sobre os sequestrados, apesar de Álvaro Uribe ter discordado que o seu homólogo venezuelano entrasse em contacto directo com o alto comando institucional colombiano.
O presidente francês, Nicolas Sarkozy, já pediu ao seu homólogo colombiano que "mantenha o diálogo" com o presidente venezuelano, para conseguir a libertação dos "reféns políticos", detidos pelas FARC, entre eles a ex-candidata presidencial franco-colombiana Ingrid Betancourt, sequestrada durante a campanha presidencial de 2002.
A 20 de Agosto, Hugo Chávez pediu ao seu homólogo colombiano, Álvaro Uribe, e ao líder das FARC, Manuel Marulanda, para "aceitarem" a sua mediação para um "acordo humanitário".
Como sinal de "boa vontade", indultou 41 paramilitares colombianos detidos em Caracas desde 2004, acusados de "propósitos desestabilizadores" contra o seu governo, nomeadamente, rebelião civil e tentativa de "magnicídio presidencial".
As FARC são uma organização guerrilheira colombiana que surgiu em 1964, de ideologia comunista, marxista-leninista e que tem entre 12.000 a 17.500 membros.
Mantém em cativeiro, desde 13 Fevereiro de 2003, o luso-americano Marc Gonçalves, que foi sequestrado depois de o avião em que seguia com mais quatro pessoas se ter despenhado.
Gonçalves cumpria uma missão de vigilância do cultivo de droga na selva colombiana de Caquetá e estava ao serviço de uma companhia privada contratada pelo governo norte-americano.
Os destroços do avião foram cercados por guerrilheiros das FARC, que executaram os tripulantes Thomas Janis e Luis Alcides Cruz, levando como reféns Marc Gonçalves, Keith Stansell e Thomas Howes.
A 8 de Novembro, o secretário das FARC, Iván Márquez, garantiu, em Caracas, à saída de uma reunião com o presidente Hugo Chávez e a senadora colombiana Piedad Córdoba, no palácio presidencial de Miraflores, que aquela organização entregaria ao presidente venezuelano uma "prova" de que Marc Gonçalves está vivo.
O acordo humanitário defendido por Chávez permitiria trocar 45 reféns por 500 guerrilheiros detidos pelas autoridades colombianas.
Fonte: www.rtp.pt - 23.11.07
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